Capelinhas de Vieiras

Ao longo de um corredor de grama baixa, cercado por muitas árvores, 14 capelinhas feitas de pedra contam a história de um imigrante português que viveu no Paraná. Elas, durante o ano todo, fazem parte do roteiro religioso de várias excursões. Dispostas na forma de uma grande cruz deitada, as construções compõem o Santuário do Senhor Bom Jesus do Monte, localizado em Vieiras, comunidade situada a 35 quilômetros de Palmeira, nos Campos Gerais.

O santuário foi idealizado por Bento Luís da Costa, falecido há 27 anos. Essa foi a forma que ele encontrou para agradecer as graças que recebeu durante os cerca de 50 anos que viveu em Vieiras. Dedicada a Bom Jesus do Monte, a mais antiga e a maior das capelas foi inaugurada em 29 de janeiro de 1935. Ela faz referência ao santuário português de mesmo nome situado na cidade de Braga, visitado por Costa quando menino – local que também inspirou a construção do Santuário Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG).

As demais capelas, propositalmente iguais, foram erguidas no entorno da primeira. As construções comportam, sem esbarrões, no máximo três pessoas. Cada uma guarda particularidades religiosas e parte da vida do imigrante português. Uma história que pode ser conhecida por qualquer visitante, já que o santuário tem entrada franca e as portas das capelas nunca são trancadas. Não há dificuldade para saber a que as capelas se referem. Costa deixou o significado de todas registrado nas paredes.

História pessoal

A inauguração da primeira capela, por exemplo, coincide com os 25 anos do casamento de Bento com Amélia Wood Costa. Um manuscrito amarelado conta que, por se tratar de uma propriedade particular, a missa de Bodas de Prata não poderia ser celebrada lá sem o consentimento do arcebispo de Curitiba, Dom Ático da Rocha. Como era amigo do arcebispo, Bento conseguiu a autorização.

Bento e Amélia tiveram seis filhos. Aos 92 anos, Othília Costa Cordeiro é a única viva. “Ele [Bento] era um homem muito generoso. Jamais esqueceu o que a mãe e o pai lhe ensinaram”, lembra a filha.

O santuário também reserva espaço para os dons artísticos da família. Duas pinturas – uma de São Francisco Sales e outra de Nossa Senhora Aparecida – mostram uma técnica que preserva um brilho que salta aos olhos. “Isso é resultado da técnica que nós utilizamos. A pintura foi feita sobre uma folha de papel alumínio que foi amassada e depois aberta. Aprendemos isso com as irmãs do Colégio Sant’Ana, em Ponta Grossa”, explica Othília, autora de uma das obras.

Texto: Derek Kubaski

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